sábado, dezembro 17

A nova aposta de Daniel Filho

"Se Eu Fosse Você", o mais novo filme de Daniel Filho, inaugura a temporadade filmes brasileiros de 2006. O longa-metragem chega em 06 de janeiro àssalas de todo o Brasil com 150 cópias e é aposta do diretor para já abrir osíndices de bilheteria nacional com bons números.
"Temos muita fé nesta história. Não vou prever porque não há como fazerisso. Veja o caso de Dois Filhos de Francisco do qual eu sou produtorassociado", comentou o diretor em entrevista ao Estado na tarde destaterça-feira, após a sessão exclusiva do filme para a imprensa. "Estahistória de que o cinema brasileiro esteve em crise em 2005 não é fato.Estive lendo publicações do mundo todo e os mercados tanto europeu quantonorte-americano também registraram queda. Acho que o cinema brasileiro estáótimo e vamos abrir o ano com um ótima comédia de verão."
A comédia em questão custou R$ 5milhões e reúne uma parceria inédita, a deGlória Pires (Helena) e Tony Ramos (Cláudio), que vivem um casal em criseque, num dia, acordam com suas identidades trocadas. Ela é professora decanto de uma escola. Ele é um publicitário ameaçado de perder sua bemsucedida agência de publicidade carioca para um comprador paulista. Seusócio, Thiago Lacerda (Marcos), quer vender a qualquer custo, mas aceitavoltar atrás caso Cláudio consiga conquistar uma campanha de lingerie. Odetalhe é que quem vai apresentar a nova campanha não é Cláudio, mas Helena,na pele do marido. O filme também tem no elenco Glória Menezes (Vivinha, amãe de Helena), Maria Gladys (a hilária Cida), Daniele Winits (Cibele),Lavínia Vlasak (Bárbara), entre outros.
A partir da troca de personalidades, a confusão típica de uma comédia estáformada. Imagine um homem aprendendo a andar de salto alto e a descer comeles uma imensa escada íngreme, sofrendo sua primeira cólica menstrual, usarabsorvente interno... E imagine uma mulher aprendendo a urinar em pé, a sebarbear, ouvir piadas machistas e ser obrigada a rir...
"Eu não chamo de desafio, mas de estímulo o trabalho que fizemos para nosprepararmos para o filme. A Glória ia me dando dicas e eu ia ensinando umascoisas para ela. Chegou um momento em que todas as cenas masculinas(incluindo as que eu não estava 'trocado') eram feitas por ela. E eu faziatodas as femininas. Foi divertidíssimo", conta Tony Ramos. "Este não foi meuprimeiro trabalho na pele feminina. Eu já havia feito travestis e gays, quenão são mulheres, mas não têm só a verve masculina. E havia feito também aGeni, da Ópera do Malandro, há 16 anos. Mas desta vez foi diferente. Eusempre tive o sonho de resgatar minhas tardes da Vila Maria, em que eupassava assistindo Oscarito atuar em grandes comédias da Atlântida", completa.
Daniel Filho também se confessa muito satisfeito com a comédia. "O musical ea comédia sempre foram subestimados. Mas fazer comédia é dificílimo. Emtodos meus trabalhos, eu tento incluir o tom de comédia, como em A Vida comoela É. Mesmo para fazer drama, tem de ter humor", declara ele, queatualmente filma seu novo longa Muito Gelo e Dois Dedos D'Água. "Este novofilme não é uma comédia, mas também tem muito humor", adianta ele, que dizse inspirar muito em Billy Wilder. "Ele foi um grande mestre, sem dúvida. Seeu citar dez filmes que gosto, com certeza vou citar comédias como OApartamento, Quanto Mais Quente, Melhor, Nothing Hill, Harry e Sally. Acomédia não tem de ser renegada. E deve ser valorizada porque sempre é umaboa bilheteria."

Brasileiro dirige épico sobre império Asteca

O cineasta brasileiro Andrucha Waddington ("Eu Tu Eles", "Casa de Areia") retratará num filme de US$ 40 milhões (R$ 91 milhões) a história do conquistador espanhol Hernán Cortés (1485-1547).Waddington foi convidado para dirigir o projeto internacional pelo produtor da norte-americana Gang Productions Gianni Nunnari. A assinatura de Nunnari está por trás de superproduções como "Alexandre" (2004, Oliver Stone). É dele também o projeto de adaptar para o cinema o livro "Onze Minutos", de Paulo Coelho.A Gang Productions estima que este seja o maior orçamento já reunido para um filme falado em espanhol. Waddington diz que a idéia inicial dos produtores era rodar o longa em inglês. Mas conta que eles foram imediatamente receptivos à sua sugestão de adotar o espanhol."Na verdade [US$ 40 milhões] é pouco dinheiro para o tamanho deste filme. Ele é um épico gigantesco, com cenas de batalha e reconstituição histórica", diz Waddington.O início das filmagens de "Conquistador" está previsto para setembro de 2006, com 70% das cenas rodadas no Brasil, sobretudo no litoral de São Paulo e do Rio de Janeiro.A reconstituição de Tenochtitlán, capital do império asteca, onde Cortés é recebido, será feita "provavelmente num lago de altitude no Chile ou na Argentina", afirma o cineasta.Waddington diz que pretende ter "o maior elenco espanhol já reunido". O diretor não confirma que o protagonista será vivido pelo ator espanhol Javier Bardem -indicado ao Oscar por sua interpretação do poeta cubano Reinaldo Arenas em "Antes do Anoitecer", 2001-, mas diz que "adoraria" tê-lo no papel."Conquistador" acompanhará a história de Cortés desde sua saída de Cuba até 1521, após as batalhas de Tenochtitlán. Waddington reconstituirá, entre outros, o episódio em que Cortés afunda as próprias embarcações, para evitar a volta de seus homens a Cuba.A trama será "totalmente baseada no xadrez entre Cortés e [o imperador asteca] Montezuma", diz Waddington. Cortés viverá também uma grande história de amor. Waddington quer "uma atriz desconhecida" no papel.O diretor, que há 11 meses estuda a história de Cortés e da civilização asteca, diz que está "feliz de fazer um filme que fala das Américas, porque, na verdade, somos todos colonizados".A abordagem da colonização em "Conquistador" é do tipo "desastrosa e impositiva, em que dois mundos colidem", diz Waddington. Na opinião do diretor, "o mais lindo [na história] é quando o desconhecido encontra o desconhecido".Waddington está colaborando no roteiro do longa, de Nicholas Kazan. "Eu o li duas vezes seguidas assim que o recebi. No dia seguinte pela manhã, liguei para o Gianni [Nunnari] e disse que ele nunca mais se livraria de mim, enquanto não fizéssemos esse filme", conta Waddington.

Canal Brasil incentiva curta-metragem

A partir de abril de 2006, o Canal Brasil premia com R$ 20 mil o melhorcurta-metragem entre os que receberam o Prêmio Aquisição Canal Brasil deIncentivo ao Curta-Metragem em 2005. O Grande Prêmio Canal Brasil de Curtas-metragens será anual. Um júri formado por expressivas personalidadesdo cinema e da televisão irá escolher o melhor curta-metragem dentre osnoves curtas metragens já premiados pelo canal com o prêmio aquisição nosprincipais festivais de cinema do país, em 2005. O público também participa,pois o canal exibirá durante duas semanas uma maratona com os filmesconcorrentes, antes do anúncio do vencedor.O Canal Brasil oferece, desde 1998, o Prêmio Aquisição Canal Brasil deIncentivo ao Curta-Metragem nos maiores festivais do país. Até hoje 67filmes já receberam a premiação, no valor de R$ 5 mil para cada filme, maisa exibição no Canal. Este prêmio é oferecido para os dois melhorescurtas-metragens de cada evento, escolhidos por um júri formado porjornalistas e críticos de cinema.Entre os já premiados este ano, temos:

Balaio Festival de Gramado
Eletrodoméstica Festival de Curtas Metragens de São Paulo
Entre Paredes Festival de Gramado
Intimidade Cine Ceará
Mestre Humberto Festival de Curtas Metragens de São Paulo
O Mundo é uma Cabeça Cine PE
Visita Íntima Cine PE

Jrdineiro Fiel conquista 4º prêmio internacional

O cineasta Fernando Meirelles recebeu neste domingo seu quarto prêmiointernacional por "O Jardineiro Fiel". Ele foi eleito o melhor diretor pelo New York Film Critics Online (NYFCO), que reúne 28 dos principaiscríticos de cinema que atuam em Nova York.
No fim de novembro, a produção foi a grande vencedora do BritishIndependent Film Award (Bifa), a premiação mais importante do cinema independente britânico. O longa-metragem levou os prêmios de melhorfilme, melhor ator (Ralph Fiennes) e melhor atriz (Rachel Weisz). Emsetembro, o filme havia concorrido ao Leão de Ouro em Veneza, mas nãovenceu.
O longa, uma co-produção entre Reino Unido, Quênia e Alemanha, ébaseado em um romance de John Le Carré e denuncia experiênciasextra-oficiais com cobaias humanas feitas na África por multinacionaisfarmacêuticas.
Fiennes interpreta um tímido funcionário do Ministério de AssuntosExteriores britânico casado com uma jovem idealista (Rachel Weisz)empenhada em descobrir quem está usando os africanos como "ratos delaboratório" e que é assassinada durante sua investigação.
Neste domingo, o NYFCO deu o prêmio de melhor filme para "A Lula e aBaleia", comédia baseada nas lembranças de infância do diretor NoahBaumbach.
O vencedor da categoria de melhor ator foi Philip Seymour Hoffman por"Capote", no qual ele interpreta o escritor Truman Capote durante aprodução do livro "A Sangue Frio". Na categoria de melhor atriz, a vencedora foi Keira Knightley, pela interpretação de Elizabeth Bennetem "Orgulho e Preconceito".
Também foram premiados Oliver Platt (ator coadjuvante, por "Casanova2005", de Lasse Hallström) e Amy Adams (atriz coadjuvante, por "Junebug", de Phil Morrison), Paul Haggis (diretor estreante, por"Crash").
O prêmio de melhor fotografia ficou com o documentário "A Marcha dosPingüins", de Luc Jacquet. Na categoria animação, o vencedor foi "Wallace e Gromit: A Batalha dos Vegetais".

domingo, outubro 16

Teatro, cinema e a nova onda no Vila

O Teatro Vila Velha e a Associação Baiana de Cinema e Vídeo (ABCV), vão realizar, dentro da programação do VILERÊ, uma mostra de filmes curtos infantis de diversas regiões brasileiras. A maioria dos curtas é resultado do programa curta criança, projeto desenvolvido pelo Ministério da Cultura e Rede Brasil.
Os filmes serão exibidos antes dos espetáculos. Cada dia, um novo filme.
A mostra será iniciada neste sábado com o curta baiano Mr.Abrakadabra!, de José Araripe Jr. No domingo, será exibido O Moleque, de Ari Cândido, produção carioca que conta com a participação especial de Zezé Motta.
Até o final de outubro, outros títulos estarão na tela do Vila, como Uma Jangada Chamada Bruna, de Petrus Cariri (CE), Historietas Assombradas (para crianças mal criadas), de Victor Hugo Borges (SP), A menina, o espantalho e o curupira, de Ric Oliveira (SP), O Homem que Bota Ovo, de Rafael Conde (MG), além dos baianos Caçadores de Saci, de Sofia Federico, Sinfonia nº 1 para Celular e Orquestra, de Fausto Jr., e El Toro de Guernica, de Caó Cruz Alves.

PROGRAMAÇÃO

08/10 – Mr. Abrakadabra!, de José Araripe Jr.
09/10 – O Moleque, de Ari Cândido
15/10 – Historietas Assombradas (para crianças mal criadas), de Victor Hugo Borges
16/10 – Uma Jangada Chamada Bruna, de Petrus Cariri
22/10 – Caçadores de Saci, de Sofia Federico
23/10 – O Homem que Bota Ovo, de Rafael Conde
29/10 – A menina, o espantalho e o curupira, de Ric Oliveira
30/10 – Sinfonia nº 1 para Celular e Orquestra, de Fausto Jr., e El Toro de Guernica, de Caó Cruz Alves.

Festival do Rio premia a Bahia

Por Carlos Helí de Almeida

''Salve a Bahia!'', saudou o secretário das Culturas Ricardo Macieira no palco do Cine Odeon, confirmando que a festa da entrega dos prêmios da Première Brasil do Festival do Rio, realizada na noite de quinta-feira, era baiana. A estatueta dourada de melhor título da competição de ficção, segundo o júri oficial, foi para Cidade Baixa, de Sérgio Machado, drama de cores fortes ambientado no famoso bairro de Salvador. O filme também levou o prêmio de melhor atriz, cravado por Alice Braga, que o recebeu aos prantos.
O clima festivo se estendeu a outros representantes do Nordeste. Cinema, aspirinas e urubus, do pernambucano Marcelo Gomes, que promove o encontro entre um caixeiro viajante alemão e um sertanejo nos anos 40, levou o Prêmio Especial do Júri e a estatueta de melhor ator, arrebatado por João Miguel. A máquina, fábula sertaneja do também pernambucano João Falcão, foi escolhido o melhor longa de ficção pelo júri popular.
Presidido pelo diretor do Festival de Veneza Marcos Muller, o júri oficial composto pela cineasta Kátia Lund, a roteirista Helena Soarez e o ator Milton Gonçalves elegeu 500 almas, de Joel Pizzini, documentário sobre os índios guatós do Pantanal, como o melhor filme da categoria; o público votou por Do luto à luta, de Evaldo Mocarzel, sobre vítimas da Síndrome de Dawn.
Os discursos de agradecimento foram marcados pela defesa da ''pulverização'' de verbas destinadas ao audiovisual, que permitiu a diversidade de gêneros e estilos exibidos ao longo de 13 dias de competição. Beto Brant, eleito o melhor diretor com Crime delicado, foi um deles:
- Mando um abraço aos poetas das luzes que vi ao longo desses dias aqui - disse o paulistano, que também recebeu o Prêmio Especial do júri da Federação Internacional de Imprensa

A formação profissional no debate nacional da política audiovisual

Dando continuidade às suas atividades como entidade representativa das escolas de cinema e audiovisual, o Fórum Brasileiro de Cinema e Audiovisual (Forcine) realiza, de 5 a 8 de outubro, em São Paulo, o 3º Congresso Forcine. O evento será realizado na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP) e vai discutir as políticas públicas audiovisuais voltadas para o ensino e a formação profissional.
A avaliação do Programa de Apoio à Produção de Trabalhos de Conclusão de Cursos de Cinema e Audiovisual será um dos temas do debate no primeiro dia do congresso e terá a participação do diretor do Centro Técnico Audiovisual (CTAv), José Araripe JR, representando o secretário do Audiovisual, Orlando Senna. O Programa, que é uma realização da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, em parceria com o Forcine, apoiou, em 2004, cinco projetos de instituições de ensino de cinema.
Araripe também vai discutir a relação entre o CTAv e as escolas de cinema e a retomada do convênio de cooperação com o National Film Board (NFB), do Canadá, assinado entre as duas instituições no mês passado.
O Congresso Forcine ainda vai refletir sobre as modalidades de aplicação das diretrizes curriculares para o curso superior de Cinema e Audiovisual, em consonância com as políticas educacionais vigentes.

quarta-feira, outubro 5

Celular e cinema

*O conteúdo de cinema é uma fatia importante da receita de serviços das operadoras. Essa foi uma das conclusões obtidas durante o debate “Celular e Cinema: oportunidades e receitas”, realizado em 28 de setembro, durante o 4° TELA VIVA Móvel. Além da receita, André Andrade, da Claro, destacou que é importante pensar que esse conteúdo é capaz de gerar fidelização do cliente e principalmente diferenciar a operadora frente à concorrência. Ao discutir as estratégias de marketing para serviços que envolvem conteúdos de cinema, Andrade lembrou ainda que os filmes nacionais apresentam uma vantagem em relação aos estrangeiros: eles permitem ações de relacionamento diferenciadas e mais atraentes. “É possível, por exemplo, oferecer visitas aos sets de filmagem, realizar concursos para atuação como figurante no filme, levar os clientes para assistir à pré-estréia com os protagonistas, entre outras coisas que seriam praticamente inviáveis com filmes estrangeiros”. Ele lembra, no entanto, que os filmes geradores de receita para a operadora ainda são os grandes blockbusters estrangeiros. Sobre a disponibilização de conteúdos específicos para celular, como curtas-metragens, Andrade ressaltou a importância dos cineastas entenderem primeiro como essa mídia funciona para então realizarem filmes adequados ao formato.

segunda-feira, setembro 26

Parceria promove exibição simultânea

A primeira atividade do Circuito ABD & CNC está consolidada. Às 20 horas da próxima terça-feira, 27, o documentário de longa metragem Dom Helder Câmara - O Santo Rebelde, de Érika Bauer, será exibido simultaneamente em trinta e três pontos espalhados por todo o país. A iniciativa inédita é fruto de parceria da ABD – Associação Brasileira dos Documentaristas com o CNC – Conselho Nacional de Cineclubes e conta ainda com o apoio do CBC – Congresso Brasileiro de Cinema. Está confirmada a exibição em cineclubes ou representação da ABD, nos estados de: Alagoas, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Maranhão, Minas Gerais, Paraná, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, São Paulo, Sergipe, Tocantins e no Distrito Federal. A Bahia está de fora. Ninguém viu, ninguém vê.

Sucessão na ABCV

A Associação Baiana de Cinema e Vídeo (ABCV – ABD/Ba), entidade representante da classe audiovisual no estado, convoca seus associados para participar do seu processo eleitoral que se dará na próxima quarta-feira, 28, na sala de cursos da Dimas, localizada no prédio da Biblioteca Pública dos Barris.

Na atual presidência da entidade está Solange Lima, em substituição ao nome de José Araripe Jr. eleito no último pleito e que hoje se encontra no comando do Centro Técnico do Audiovisual (CTAV), órgão vinculado ao Minc sediado na cidade do Rio de Janeiro.

Na última reunião, aberta aos interessados, foram expostos alguns pontos que fazem parte dos trâmites burocráticos normais ao processo eleitoral, como reunião do conselho fiscal para aprovação das contas apresentadas pela atual gestão, prazos, limites, formação de chapas.

Apesar do apoio recebido para continuar no cargo e dar seqüência ao trabalho que vem desenvolvendo, especialmente de articulação com as ABD’s de outros estados e expansão da ABCV no interior da Bahia, Solange preferiu abrir a vaga, muito devido à sobrecarga de trabalho.
Encabeçando a chapa sucessora, e até então única, foi indicado o nome da cineasta Sofia Federico, que vem articulando sua equipe de trabalho e novas propostas para o rumo da entidade. A ABCV é filiada da ABD (Assiciação Brasileira de Documentaristas), que delega os interessaes da classe no âmbito nacional.

quarta-feira, setembro 21

Antes tarde do que nunca

Sai o resultado do edital estadual de fomento ao audiovisual
Com o atraso de quase um ano, a Fundação Cultural do Estado da Bahia (FUNCEB) publicou ontem no Diário Oficial o resultado do concurso para obras audiovisuais 2004/2005, Prêmio Agnaldo Siri Azevedo, que visa promover a produção em cinema e vídeo no Estado.
A publicação dos editais de fomento tornou marco fundamental para a retomada do cinema na Bahia, quando da sua primeira edição em 2001, e brotou em meio à ausência de uma política eficaz de incentivo a cultura, e que abrangesse o setor.
A FUNCEB, instituição ligada a Secretaria da Cultura e Turismo, vem passando por uma crise interna profunda que vem detonando um de seus pilares mais importantes, e justamente aquele ligado ao audiovisual. Isso acarretou problemas ao concurso, já que, com periodicidade anual prevista para sua publicação, vem descumprindo o seu papel funcional básico e desregulando o encadeamento da atividade na Bahia.
Armindo Bião, diretor da FUNCEB, em promessa pública à classe cinematográfica, garantiu a normalização na publicação do concurso nas vias imediatas da divulgação do prêmio Agnaldo Siri Azevedo. Pra variar, descumpriu a promessa e aí Oxalá é quem sabe quando virá o próximo concurso.
Os prêmios conferem a categorias longa metragem, curta de ficcção e vídeo documentário.


Vencedores:

Filme Longa Metragem de Ficção

Projeto: PAU BRASIL
Proponente: Fernando Belens
Roteiro: Dinorah do Valle e Fernando Belens
Direção: Fernando Belens

Filme Curta Metragem

Projeto: XISTO BAHIA ISTO É BOM
Proponente: Joel de Almeida
Roteiro: Joel de Almeida
Direção: Joel de Almeida

Projeto: A INCRÍVEL HISTÓRIA DE SEU MANÉ QUEM QUÉ E O DEMO
Proponente: Nivalda Silva Costa
Roteiro: Isabella Lago
Direção: Nivalda Silva Costa

Videodocumentário

Projeto: BATATINHA E O SAMBA OCULTO DA BAHIA
Proponente: Pedro Jungers Abib
Roteiro: Pedro Abib
Direção: Pedro Abib

Projeto: IMAGENS DO XARÉU
Proponente: Marília Hugues Guerreiro Costa
Roteiro: Marília Hugues
Direção: Marília Hugues

Projeto: TEMPLO DO CINEMA – O GUARANI
Proponente: Cláudio Costa Marques
Roteiro: Cláudio Marques
Direção: Danilo Scaldaferri

terça-feira, setembro 20

Humanismo a flor da pele em mostra festiva para 10 anos de retomada


Com o intuito de celebrar os dez anos de um novo período da cinematografia nacional, terá lugar na Sala Walter da Silveira pequena mostra denominada “10 anos da Retomada do Cinema Brasileiro”.
Esse pequeno evento integra o Circuito Cultural Banco do Brasil e, longe de pretender dar conta da diversidade temática e estética dos últimos anos, mesmo não sendo elas tão ricas e instigantes em sua maioria, exibe alguns filmes que se tornaram referenciais.
A mostra, no entanto, equaliza bem a vertente mais explosiva do cinema contemporâneo brasileiro, o documentário. O gênero, que nos últimos anos estabeleceu um sólido diálogo com o público, vem apresentando produções de significancia temática que preza pelas novas relações do cotidiano sem abrir mão de um certo atrevimento nos usos de linguagem, refenrendando-se também em belas carreiras internacionais.
Santo Forte (1999), de Eduardo Coutinho, Rocha que Voa (2002), de Eryk Rocha e Samba Riachão (2001), de Jorge Alfredo serão exibidos para o público baiano, que ainda depende da sensibilidade dos exibidores locais (se é que isso se compra), e que priorizam os grandes sucessos de bilheteria.
Também na mostra, o lirismo narrativo de A Ostra e o Vnto (1988), filme dirigido por Walter Lima Jr. constrói um universo que explicita o sentimento da sexualidade e anseios de viver de forma intensa, institiva e inconsequente. Daí, ao meu ver, uma aproximação temática com outros dois longas da programação. Primeiro, do pernambucano e sempre abusadinho Cláudio Assis, Amarelo Manga (2002) acrescenta a tudo isso uma larga pitada de locações mundanas, imundas e periféricas, que por personagens rudes e violentos planificam o embrutecimento do humano.
Completando a tríade, com destaque para o ator Lázaro Ramos, Madame Satã (2002) leva as telas com visceral maestria a história de João Francisco dos Santos, mais conhecido como Madame Satã, artista carioca que passou boa parte de sua vida entre a prisão e o Rio de Janeiro boêmio, no bairro da Lapa dos anos 30.
Da bahia coube a representação ao já citado Samba Riachão e a Três Histórias da Bahia (2001), de José Araripe JR, Edyala Iglesias e Sérgio Machado. O projeto, que de três curtas de mesma temática – o carnaval – formou-se um longa, representa o de fato marco da retomada no estado, muito devido à publicação de editais regionais de produção.
Na quarta 21, primeiro dia do evento, haverá encontro com Sérgio Machado, que está em processo de lançamento nacional de Cidade Baixa (2005), filme selecionado e premiado em Cannes/2005. O cineasta conversará com o público sobre a retomada e sobre sua própria carreira.

Programação

Quarta, dia 21
14hs – Santo Forte, de Eduardo Coutinho
16hs – A Ostra e O Vento, de Walter Lima Jr.
18hs – Três Histórias da Bahia, de Sérgio Machado, José Araripe Jr. e Edyala Yglesias
20hs30 – Encontro com o diretor Sérgio Machado, de Três Histórias da Bahia e Cidade Baixa

Quinta, dia 22
14hs – Amarelo Manga, de Cláudio Assis
16hs – Samba Riachão, de Jorge Alfredo
18hs – Rocha que Voa, de Eryk Rocha
20hs – Madame Satã, de Karin Ainouz

Sexta, dia 23
14hs – A Ostra e O Vento, de Walter Lima Jr.
16hs – Santo Forte, de Eduardo Coutinho

Filme com Genoíno premiado em Nova York


Anos 60. Um religioso francês chega ao Brasil e testemunha a formação da Guerrilha do Araguaia. Esse é o fio narrativo de Araguaya – A Conspiração do Silêncio, filme um tanto pretensioso de Ronaldo Duque que recai muito mais para lados panfletários que políticos na abordagem da guerrilha em que atuaram militantes do PC do B e também camponeses que se integraram ao movimento. Essa guerra suja, ocorrida na selva paraense, e duramente combatida pelos militares gerou cerca de 58 desaparecidos e também um eterno silencioso por parte do Exército (daí o subtítulo).
Primeiro que Araguaya possui pele e osso de uma novela, desenvolvendo muito mal a sua estrutura narrativa. O roteiro é simplório, mas escrito a seis mãos – Duque, Guilherme Reis e Paula Simas, a ponto de, em dado momento, começar a focar um romance desnecessário a trama – e idiota - e que gera uma gravidez previsível e dramaticamente superficial. Sequer a mise-en-scene, que não transmite intimidade entre ator e personagem, pode ser considerada plausível.
O diretor opta por insistir em planos fechados nos atores, em contra-planos convencionalíssimos e, assim, o método novelesco toma forma novamente. A prograssão fílmica padece num ritmo descompassado onde Araguaya dá claros sinais de ser um “docu-drama” ao inserir depoimentos de pessoas reais e ligadas ao tema, como José Genuíno, por exemplo. Ele mesmo, ex-presidente do PT, acusado de envolvimento no caso do mensalão.
Araguaya também sofre do mal de algumas produções brasileiras e novelescas, que é o excesso de informação e didatismo, coisa que subverte a curiosidade do espectador diante do fato histórico. É a tão clássica postura de subestimar o público, achando que tem de explicar as ações e imagens assim como Ana Maria Braga e seus convidados explicam receitas gastronômicas. Pobreza criativa.
Paralelo a isso, o caráter panfletário subjuga a todo instante o potencial político, e a fita lembra mais uma propaganda pessimamente arquitetada, feita por radicais.
De certo modo, a história, narrada e filmada de maneira pueril, tenta girar ao redor do padre Chico, que, interpretado por um esforçado (embora pouco funcional) Stephane Brodt, limita-se a contrair o cenho, como se estivesse com uma dor de cabeça incessante. A identificação entre público e personagem é zero, ou menos que isso.
Araguaya: A Conspiração do Silêncio ganhou o Troféu Liberty Statue de melhor filme do 2.º Festival de Cinema Brasileiro de Nova York, na escolha feita por um comitê especial. No voto popular, o melhor filme foi Carandiru, de Hector Babenco. Borboletas da Vida, de Vagner de Almeida, venceu como melhor documentário e A Idade do Homem, de Afonso Nunes, como melhor curta. Genoíno não emplacou, mas concorre como favorito ao prêmio de malhor ator pela CPI do mensalão, a ser escolhido pela comissão de ética do PT.

Mal como diretor, mal como produtor.

Em seu novo projeto, que teve início em 2003, Duque pretende dar vida ao romance de João Ubaldo Ribeiro Viva o Povo Brasileiro, mas desta feita sob a direção do cineasta André Luiz Oliveira – famoso pelo seu Meteorango Kid, o Herói Intergalático (1969) e Louco por Cinema (1994). Mas o processo vai de mal a pior. A produção, parada desde o final de 2004, encontra problemas para prosseguir devido a falta de recursos. O filme deve ser rodado na Bahia, nas imediações de São Francisco do Conde, Ilha de Itaparica e Salvador.
Salvaguardando o nome de André Luiz, autor também da adaptação, e das competentes presenças de Luis Abramo como diretor de fotografia e Moacir Gramacho assinando a arte, pode-se esperar um bom caldo para o filme. Isto é, se a coisa engrenar.

segunda-feira, setembro 19

O samba de Riachão é destaque no Canal Brasil

Samba Riachão (2001), do diretor Jorge Alfredo, será lançado na tv pelo Canal Brasil, dia 27 de setembro às 22.35 horas, dentro da programação do "É Tudo Verdade".

O filme estreou em novembro de 2001 no Festival de Brasília ganhando os prêmios de melhor filme do júri oficial e popular, percorreu o circuito de festivais do Brasil e foi exibido em Cuba, Portugal, Uruguai, Argentina, Alemanha, França, Áustria, República Tcheca e na Suiça.

Em abril de 2004 conseguiu entrar no circuito comercial brasileiro através do Prêmio Petrobrás para distribuição. Samba Riachão com seis cópias foi exibido em algumas salas do circuito do sul e sudeste, e agora tem sua estréia na tv.

Na fita, rodada em Salvador, o sambista Riachão apresenta sua história desde os tempos da velha guarda, intimidades familiares e os novos projetos da carreira. A versão em dvd sairá em breve.

Cines eram atrações no subúrbio

O Cine-Plaza, na Rua Carlos Gomes, em Periperi, foi, até meados da década de 80, uma das principais atrações dos finais de semana para os moradores do Subúrbio Ferroviário de Salvador, ao lado dos clubes sociais Periperi e Flamenguinho. Fechado em 1990, quando foi comprado pela Igreja Universal do Reino de Deus, o cinema encerrou um ciclo de atividades culturais no bairro.

O Plaza foi criado em 1959, sendo a primeira casa do gênero no subúrbio, iniciando a projeção de filmes de 16 milímetros. Em 1960 os filmes passaram a ser exibidos em 35 milímetros, quando surgiram as matinês nos finais desemana, destinadas ao público adolescente. Em 1976, o local foi adquirido por Gilberto dos Santos Sá, 80 anos, por 136 mil cruzeiros, moeda da época, que ampliou o espaço para receber até 480 pessoas, divididas em dois andares.

O cinema era uma das quatro principais atrações do bairro, ao lado doestádio de futebol e dos clubes recreativos Flamenguinho e Periperi. "Essaera a época dos filmes de cowboys e das lutas marciais de kung fu que atraíam, principalmente, os rapazes", diz Gilberto.

PLATAFORMA - Além do cinema que será reformado, Plataforma contava tambémcom o Cine São Brás, do qual restaram apenas as paredes. O interior do imóvel foi transformado em área de estacionamento de uma igreja evangélica. Dos equipamentos ninguém sabe informar. Os dois cinemas faziam parte de umatradição do bairro que foi esquecida no final da década de 80. Nessa época, Plataforma se rivalizava com Periperi, possuindo também dois clubes -Plataformense e Palmeiras.

"Infelizmente tudo isso acabou e hoje o nosso bairro não tem opções de lazer", diz o aposentado Florisvaldo Figueiredo da Silva, 71 anos,ex-funcionário do Círculo Operário, instituição que também administrava oscines Roma, São Caetano e Pax, este último na Baixa dos Sapateiros, fechado há mais de 10 anos.

Comunidades querem cinemas de volta

Reativação do Cine Plataforma abre discussões sobre falta de opções de lazer em bairros pobres de Salvador

"Saudade, quanta saudade de você. Volta cinema. Muitas saudades de você e das segundas-feiras". O trecho de um poema, cujo autor assina apenas como Perinho, está escrito na fachada do velho cinema de Plataforma e expressa bem a ansiedade da população do bairro, que aguarda a reativação da antigacasa de espetáculo, inaugurada em 1959 e fechada há mais de 15 anos. O anúncio da reforma foi feito no final do mês passado pela Secretaria da Cultura e Turismo do Governo do Estado.

A reativação do cinema de Plataforma despertou na população de outros bairros populares de Salvador o desejo de ter de volta antigas casas de exibição de filmes que foram abandonadas ou trasnformadas em templos religiosos. É o caso de Periperi, cujo Cine Plaza, também construído em1959, foi vendido para a Igreja Universal do Reino de Deus em 1990. Em Novos Alagados, o cine-teatro, inaugurado em 1982, está abandonado e destruído há15 anos, e no Engenho Velho de Brotas, o Cine Amparo fechou as portas em1982 e foi transformado em um supermercado.

As antigas casas de espetáculo eram propriedades privadas e foram vendidas para terceiros, sem qualquer interferência do poder público. Dos antigos cinemas de bairros, apenas dois, o de Plataforma, que será restaurado pela Secretaria da Cultura do Governo do Estado, e o de Novos Alagados, que temum anteprojeto elaborado pela Conder, feito no ano passado, deverão serdevolvidos ao público.

ESPERANÇA - O Subúrbio Ferroviário tem população estimada em 400 mil pessoase a única atividade de lazer que dispõe é a praia, mesmo assim poluída e sem infra-estrutura de serviços. "Quem mora por esses lados da cidade, por não ter atividades culturais e de lazer, tem que ir para a cidade", desabafou Zaneb Nagib Fattal, 52 anos, neta do antigo administrador do Cine Plataforma. O assessor técnico da Secretaria da Cultura e Turismo, o engenheiro Luiz Alberto Nolasco Fernandez, disse que no Cine Plataforma será investido aproximadamente R$ 1,8 milhão para transformar a antiga sala de exibição em uma moderna casa de espetáculo com capacidade para 222 lugares. O edital de licitação para a obra deverá ser publicado no início do mês de outubro e o cinema, que ainda conserva os antigos projetores, deverá estar pronto no final de 2006.

Já em Novos Alagados, o cine-teatro pode ser reaberto, mas isso depende da execução de um projeto feito pela Conder (Companhia de Desenvolvimento Regional da Bahia) e a comunidade local. O cine-teatro, inaugurado em 1982,dois anos após a primeira visita do Papa João Paulo II à Bahia, foi fechado em 1990 e hoje está semi destruído. Parte das instalações físicas é ocupada pela Associação Filhos do Sol Nascente, uma entidade criada no bairro que desenvolve atividades culturais e esportivas, organizadas pelos próprios moradores.

Ali, o capoeirista Pedro Batista, o "Mestre Pé de Ferro", tenta manter o querestou do cinema, que tinha capacidade para 825 lugares. Ele conta que, noano passado, fez um projeto, com apoio da comunidade, para a recuperação dolocal, no valor de R$ 183 mil. "Falta, contudo, apoio para conseguirmosesses recursos", diz.

No Engenho Velho de Brotas, o supermercado que ocupou o lugar do Cine Amparofaz o seu antigo freqüentador, Jairo Manoel dos Santos, 63 anos, recordar:"Nos finais de semana, isso aqui era uma festa, onde podíamos namorar e nosdivertir", conta.



Animação é tema de festival universitário

Dar vida a personagens inanimados é uma arte que a 4ª edição do Nóia vai mostrar, incluir e debater. O "Cinema de Animação" é o tema do Festival desse ano, que acontece entre os dias 30 de novembro e 03 de dezembro, no Centro Cultural Dragão do Mar, em Fortaleza.
Sendo tema do Nóia, a Animação ganha status de categoria, dentre as quatro que compõem os três dias da Mostra Competitiva. As inscrições dos vídeos e filmes universitários serão aceitas até o dia 30 desetembro, incluindo ficção, documentário, experimental, além da animação.
A programação do 4º Nóia contará também com Oficinas e Seminários abertos aopúblico, e trará grandes profissionais da área de quadrinhos e cinema deanimação. O primeiro convidado confirmado é o diretor e roteirista dos projetos da Toscographics, Allan Sieber, autor da série em quadrinhos "Vida de Estagiário", na Folha de S. Paulo e da tira semanal Preto no Branco, no site das Edições Tonto.